sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A PONTA DO JAROBÁ


Há alguns anos atrás, passeando pela Praia da Lagoinha no litoral norte de SP, descobrimos uma trilha pela mata, margeando o mar, que ia dar num local belissimo, tendo como ponto de descanso um pequeno bar, erguido em palafitas no meio d'agua, chamado "Ponta do Jarobá".

Esse bar pertencia ao Ivanildo, caiçara esperto, com uma grande criação de mariscos deliciosos e enormes, que ele servia num vinagrete dos deuses, preparado por sua mulher, a Mara.

Ali nesse refugio, ele ergueu sua casa e junto dos filhos, montou seu negócio, baseado na receita imbativel dos mariscos e uma vista privilegiada do litoral.

Frequentamos por muitos anos esse lugar, atraidos pela beleza da paisagem e pelos mariscos ao vinagrete. Varios barcos e lanchas aportavam ávidos por beber e comer na Ponta do Jarobá.

Um serviço de transporte através da pequena lancha da familia, buscava nas praias ao redor os clientes e turistas que ligavam.

Até que num fevereiro desses, ao pisarmos no bar, Mara chorosa nos contou que Ivanildo partira.

Um acidente de automovel roubara sua vida, em pleno auge de planos e trabalho!

Agora meio perdida, ia tocando o bar, mas os mariscos não cresciam, estavam pequenos, e o tempero se perdeu em meio a lágrimas e soluços.

O mar esverdeado com sua brisa continua perfumando e cobrindo a Ponta de Jarobá de luz e encanto, mas um dia nunca é igual a outro.

E a vida, em constante mutação, nos mostra sempre, que devemos aproveitar o momento, o presente, com toda a intensidade possivel.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O CARNAVAL DOS 'CLOVIS'


Continuando pelo Rio de Janeiro, nessa época de carnaval, imagens irreverentes e belas povoam minha memória, quando me vejo há alguns anos atrás, observando esse povo carioca em plena farra dos feriados, sambando e cantando pelas ruas.
Afora quando vi um motorista de ônibus, dirigindo vestido de Carmem Miranda,de turbante de frutas e batom em plena segunda-feira de carnaval, com o braço peludo cheio de pulseiras coloridas, dando sinal pra entrar, acreditei que tudo era possivel, em termos de brincadeira naquela cidade!
Mas me chamou muito a atenção, o que vim a descobrir depois se tratarem dos "Clóvis".
No começo estranhei, vendo vários grupos de mascarados, fantasias parecidas, mas ao mesmo tempo diferentes, nas cores e no rosto de massa ou pano pintado.

Mas os "clóvis", são fantasias que lembram um palhaço arteiro, aprontando todas. Muito comum entre os cariocas, que externam sua alegria de um modo tão contagiante.
Que coisa boa, poder pular, cantar , brincar, sem que ninguem julgue ou critique, sem que a própria vaidade interfira, pois a fantasia cobre da cabeça aos pés! E esse anonimato é fascinante para se exercitar uma liberdade e fazer parte de uma folia!
Imagino voltar a ter doze anos, com toda as situações que isso implica!
Mas sonhos e brincadeiras á parte,pesquisei sobre o assunto e encontrei algumas definições:


"Os Clóvis aparecem na periferia do Rio - principalmente na antiga zona rural, compreendendo Padre Miguel, Realengo, Santa Cruz, Campo Grande e Pedra de Guaratiba - Não sendo vistos na Centro, na zona Sul ou nos bairros mais urbanizado da zona Norte.

A característica principal do Clóvis é o anonimato obtido através do uso de roupa larguíssima, que esconde o corpo, complementada por meias e luvas encobrindo as extremidades.

Também o rosto é oculto por uma máscara de tela pintada, sendo os cabelos presos por uma malha e recobertos por ráfia ou por material sintético que imita o cabelo humano.

É como uma fantasia de palhaço em que se colocasse por cima um colete bordado de lantejoulas e espelhinhos e uma capa também bordada com símbolos que representam a vida e a morte.

A máscara apresenta igualmente uma simbologia de oposição vida-morte, algumas delas exibindo palavras como killing e outras tendo a forma de caveira com uma chupeta na boca.

Os Clóvis saem à rua em bandos, completamente mascarados e sem um centímetro de pele aparecendo.

Vêm pulando, soltando grunhidos, voz rouca, ou em falsete, debochando dos conhecidos ou dos simples passantes e batendo no chão, com estardalhaço, a bexiga de boi, amarrada por um barbante a um pedaço de pau.

As fantasias mais cuidadas são aquelas feitas em casa, nas quais o bolero de cetim apresenta-se mais rico no bordado de lantejoulas coloridas, formando desenhos abstratos ou figurativos.

Em certos locais os boleros cedem lugar às vistosas capas bordadas ou enfeitadas com purpurina, retratando super-heróis, figuras de histórias em quadrinhos ou desenhos animados, como o Homem-aranha, Brasinha, Mickey ou Popeye.

Todas as fantasias apresentam como marca característica a criatividade na combinação e exuberância de cores no cetim". ("Mascaras e Fantasias do Carnaval" -Dinah Guimaraens)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O CORO DA CANTAREIRA


Vemos acima a Estação de Barcas do Rio de Janeiro com todos os atracadouros ocupados: barca para Paquetá, barca para Niterói, balsa de automóveis da antiga Cantareira e balsa da Valda (de cor azul).


O transporte regular aquaviário na Baía de Guanabara foi iniciado em 1853, com a criação da Companhia de Navegação de Nichteroy, empresa privada que fazia o transporte de passageiros entre Rio e Niterói utilizando três embarcações.


Esta empresa foi sucedida pela companhia FERRY, criada em 1862, depois substituída pela Companhia Cantareira e Viação Fluminense, fundada em 1869, com o objetivo de transportar além de passageiros, cargas e veículos.

Lembro-me por volta de 1967 , eu com 12 anos, menina de todo, meu amado tio Roulien natural de Niterói nos levava a passeios ao Rio de Janeiro, regularmente. As praias e todas as belezas do Rio, cantadas áquela época por Vinicius, Carlos Lira e Bôscoli, eram o "must" da estação.


A Praça XV, o carnaval de rua com o povo cantando ao som de um batuque, tudo me deixava impressões que até hoje sinto o cheiro e vejo as imagens. Mas uma em especial me marcou: o coro da Cantareira. Ao pegarmos a balsa para fazermos a travessia Niteroi-Rio, o povo sentado naquelas cadeirinhas, no salão azulado da barca, ia batucando e cantando.

E o refrão, com sotaque carioca era o seguinte:

" Mas é só vendo como é que dói,

mas é só vendo como é que dói,

Viajar na Cantareira,

Trabalhar em Madureira e

Morar em Niterói!


Ôoo Cantareira, ôoo cantareira, ôoo cantareira,

Hoje eu quero é me acabar..."


É esse coro de vozes fortes e bem humoradas, apesar da vida dificil, que de vez em quando ecoa em meus ouvidos, me fazendo lembrar da Balsa da Cantareira, no Rio de Janeiro.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

VALENTINE'S DAY


Nos EUA e na Europa, o Valentine’s Day, comemorado hoje, 14 de fevereiro, teve sua origem em homenagem ao Padre Valentine. Em 270 a.C., o bispo romano Valentino desafiou o imperador Claudius II que proibia que se realizasse o matrimônio e continuou a promover casamentos. Para Claudius, um novo marido significava um soldado a menos.
Preso, enquanto esperava sua execução, o bispo Valentine se apaixonou pela filha cega de seu carcereiro, Asterius. E, com um milagre, recuperou sua visão.
Para se despedir, Valentine escreveu uma carta de amor para ela. Foi assim que surgiu a expressão em inglês "From your Valentine". Mesmo tido como santo pelo suposto milagre, ele foi executado em 14 de fevereiro. Mas desde então, comemora-se o Dia dos Namorados nesse dia.

Ai como é bom ter um namorado no Dia dos Namorados, mas um namorado daqueles de sonhos da adolescencia: bonito, rico, fiel, gentil e tarado.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

CONSELHOS DE QUEM JA VIVEU MUITO



Maya Angelou teve uma carreira longa e distinta, é poeta, escritora, ativista de direitos civis, e historiadora, entre outras coisas. Ela também é atriz, dançarina, e cantora, atuou na peça de Jean Genet, "The Blacks", e o aclamado seriado, "Roots". Angelou provavelmente é conhecida melhor pelos trabalhos autobiográficos dela que incluem I Know Why the Caged Bird Sings e All God's Children Need Travelling Shoes.
Em 1993, Angelou leu um de seus poemas chamado "On the Pulse of Morning", na posse de Bill Clinton como presidente; este foi um dos pontos altos de sua carreira, e novamente a trouxe para a vista do público. Atualmente, ela é professora de história americana na Wake Forest University, Carolina do Norte, mas ainda fazendo suas excursões e dando palestras em vários lugares.
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Maya_Angelou"


Uma das grandes vozes do nosso tempo, Maya Angelou é uma mulher simples, direta, cheia de sabedoria... Alguns exemplos:

# Aprendi que aconteça o que acontecer, pode até parecer ruim hoje, mas a vida continua e amanhã melhora.

# Aprendi que dá para descobrir muita coisa a respeito de uma pessoa observando-se como ela lida com três coisas: dia de chuva, bagagem perdida e luzes de árvore de Natal emboladas.

# Aprendi que, independentemente da relação que você tenha com seus pais, vai ter saudade deles quando se forem.

# Aprendi que 'ganhar a vida' [making a living] não é o mesmo que 'ter uma vida' [making a life].
# Aprendi que a vida às vezes nos oferece uma segunda oportunidade.

# Aprendi que a gente não deve viver tentando agarrar tudo pela vida afora; tem que saber abrir mão de algumas coisas.

# Aprendi que quando decido alguma coisa com o coração, em geral vem a ser a decisão correta.
# Aprendi que mesmo quando tenho dores, não tenho que ser um saco.

# Aprendi que todo dia a gente deve estender a mão e tocar alguém. As pessoas adoram um abraço apertado, ou mesmo um simples tapinha nas costas.

# Aprendi que ainda tenho muito o que aprender.

# Aprendi que as pessoas esquecem o que você diz, esquecem o que você faz, mas não esquecem como você faz com que se sintam. (Maya Angelou - 70 e tantos anos )

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

HISTORIAS BAIANAS


Segundo consta nas historias de familia, minha bisavó Dona Firmina, uma baiana mulata forte, de cabelo enrolado e sorriso fácil, deixou o espanhol anarquista Jose, seu marido, completamente apaixonado. Desse encontro nasceram muitos filhos (nem sei quantos), dentre eles D.Vitoria, minha vovozinha, acho que a pessoa mais alegre que já conheci.

Dela herdei o nome e o orgulho de dizer que sou neta de uma mulata com raizes na Bahia. O jeito especial de rir em " Ê " e a habilidade para contar historias e fazer piadas, eram suas marcas registradas. Dia desses conto algumas de suas historias!

Acho que daí veio esse caminho espiritual guiado pelos Orixás e uma veneração e fascinio por tudo o que diz respeito á Bahia.

Louca para conhecer de perto um terreiro de candomblé, fui conhecer Salvador justo na semana santa, onde todos fecham as portas. Mas sei que virão oportunidades outras, pois o desejo de voltar e molhar os pés novamente na praia de Arembepe, e comer lambretas no restaurante da Dadá é imenso. Hoje justamente, se comemora o Dia de Yemanjá, e as oferendas de flores e perfumes vão enfeitar o mar da Bahia...
E abençoada terra, onde tantos navios negreiros aportaram, trazendo raizes culturais que fizeram esse povo e esse Pais!

Salve meu pai Oxalá!