quinta-feira, 8 de maio de 2008

La Pastaciutta del Nonno


A comida na mesa das familias italianas (como a minha) sempre foi e será motivo de reunião familiar, prazer e alegria. Ainda mais com um avô como o meu. Fundador da famosa padaria Basilicata no Bexiga, ele adorava cozinhar suas massas, pizzas, cabritos e carnes aos domingos, ou quando tivesse oportunidade. Enquanto íamos á missa na Igreja D"Achiropita, o aroma maravilhoso do molho de tomate, que ficava cozinhando horas ,era inconfundível. Um sabor de minha infância, que jamais esquecerei é o da massa que ele preparava com carinho, recheada de ricota adocicada e que chamava de "Calzune".Na realidade, uma espécie de raviole gigante, com um recheio de queijo e o famoso molho de tomates e brachola (carne enrolada com linguiça e legumes, ou o nosso "bife á rolê"). Mais conhecido agora como Raviolone.
Figura eternamente lembrada no meu coração cheio de saudade, o vovô Filippo foi um herói de sua época, começando do nada e ganhando a vida com trabalho árduo. Ele sempre levantava o copo de vinho tinto (que ele mesmo fazia) num alegre brinde, e sorria me olhando nos olhos:
- Piano, piano, se vá lontano...
Receita Raviolone de Ricota Doce:

Massa:
500 gramas de farinha de trigo
3 meias cascas de ovo de água
4 ovos

Recheio:
Uma ricota inteira (meio quilo) amassada
Uma colher de sopa de açucar
Tres colheres de sopa de queijo ralado
Salsa

Sove e estique a massa, corte com um copo, recheie e dobre ao meio apertando com um garfo.
Cozinhe em água abundante.
Use o molho de sua preferência.



segunda-feira, 5 de maio de 2008

O CURTO E GROSSO


O CÃOZINHO JINGOBEL


Em dezembro de 2007, publiquei um livreto infantil com uma história de Natal. Foi feito ás pressas para um evento da Casa do Papai Noel de Campinas, mas não saiu ao meu gosto. A diagramação completamente errada, me fez guarda-lo no armário e esconde-lo dos amigos. Mas me orgulho da idéia, do texto e dos desenhos que fiz, contando a história do cãozinho Jingobel, um mascote muito feinho e engraçado, inspirado na cadelinha Puppy do meu pai. Fiquei com vontade de refaze-lo e vou tentar melhorar tudo. E mudar de diagramador.

quinta-feira, 1 de maio de 2008



Hoje, Dia do Trabalho e dos Trabalhadores , encontrei um texto do poeta árabe Gibran Kalil Gibran, extraido de seu livro " O Profeta":
Na natureza tudo trabalha...
Trabalham os vermes na intimidade da terra, tornando-a fofa e produzindo o humus nutriente para alimentar as plantas.
Trabalham os pássaros, na construção dos próprios ninhos e na disseminação do pólem das flores.Trabalham as flores, doando seu perfume ao ar e permitindo o nascimento dos frutos.Trabalham os insetos, polinizando as flores e desempenhando a parte que lhes cabe na estrutura do ecossistema.

Trabalham também os rios, fertilizando o solo e dessedentando homens e animais.Trabalham as nuvens, fornecendo a chuva que rega as plantas e purifica a atmosfera.

Trabalham as árvores, abrindo seus galhos quais braços fraternos, acolhendo os ninhos e fazendo sombra na caminhada dos homens.

Trabalha igualmente o Sol, estrela incansável que jamais deixa de estender seus raios quentes, espancando as trevas e favorecendo a vida.Trabalha a Lua, controlando as marés e deslumbrando os olhares apaixonados dos namorados, que sonham um dia poder oferecê-la a alguém em nome do amor.

Trabalham os oceanos, abrigando na intimidade várias formas de vida e transportando, em suas ondas, as embarcações, permitindo a ligação entre os Continentes.

Trabalha também o vento, acariciando com igual doçura os carvalhos gigantes e as pequeninas hastes da relva.Tudo na natureza trabalha...

E trabalham também os homens...Quem aceitaria, de boa vontade, ser um caniço mudo e surdo quando tudo o mais canta em uníssono?Mas todo trabalho é vazio, exceto quando há amor...

É pelo trabalho que nos unimos a nós mesmos, unindo-nos uns aos outros e a Deus.E o que é trabalhar com amor?

É tecer o tecido com fios desfiados do nosso próprio coração, como se nosso bem-amado fosse usar esse tecido.É construir uma casa com afeição, como se nosso bem-amado fosse habitar essa casa.É semear as sementes com ternura e recolher a colheita com alegria, como se nosso bem-amado fosse comer os frutos.

É pôr em todas as coisas que fazemos um sopro da nossa alma...Quando trabalhamos com amor, somos como uma flauta através da qual o murmúrio das horas se transforma em suave melodia, espalhando notas de alegria no ar, contagiando tudo o que nos rodeiam. ( Gibran Kalil Gibran )

quarta-feira, 30 de abril de 2008

O CROCHÊ DA VOVÓ ESPERTA


Há sempre uma associação imediata quando falamos em crochê, tricô ou outro trabalho com lãs e linhas com a figura terna da vovó, sentada numa poltrona,trabalhando compenetrada á luz de uma janela clara, com um gatinho ao lado. Essa imagem traz a sensação do aconchego, da casinha de chaminé fumegante no alto da montanha, das mantas estendidas sobre a cama, das toalhinhas engomadas sobre os móveis.
Mas não é bem assim.
Hoje em dia, esses trabalhos manuais se tornaram uma realidade quase industrial, a moda ditando o crochê em bolsas, chapéus, calçados e até em objetos de arte. Associações e ONGs se reuniram para disseminar esse trabalho, a criação do “fuxico”como base para tantos produtos e aplicações em roupas, biquínis, bijouterias,etc.
A pessoa que trabalha com lãs e linhas, abriu seu leque de oportunidades com cursos de atualização e materiais novos.
A vovó sentada na poltrona já quase não existe. Existem vovós espertas e empreendedoras. Assim como jovens mulheres e até homens, usufruindo de todos os benefícios que esse singelo ofício trouxe.
A beleza desses produtos, muitas vezes carregados de criatividade e paixão, encanta e envolve todos que se interessam por moda.
E aquela manta sobre a cama, maravilhosamente trabalhada, e aquela toalhinha de crochê enfeitando a mesa, ainda fazem muito sucesso!


Acesse o site : www. artesecroche.com.br

terça-feira, 29 de abril de 2008

Caetano

A arte é mãe do prazer
a arte é filha da dor
a arte é o grande poder transforma-dor.
( Caetano Veloso )

UM DOS MEUS PREDILETOS


O pintor Carlos Araujo, paulistano nascido em 1950, com extensa obra de cunho social e religioso, é um dos meus prediletos. Ele soube, como eu sempre sonhei fazer, colocar a figura surgindo entre temas abstratos, cores embaçadas, névoas sutis, a imagem saindo de uma profusão de matizes, lindas. Eu o admiro desde que vi um de seus quadros, sugerindo um anjo azulado de asas abertas, figura imponente saindo de raios profusos. A minha idéia de expressão na pintura é essa: a carga criativa impressa no abstrato, e a sugestão magnifica de uma figura saindo das cores.