sábado, 27 de setembro de 2008

Meu gato preto sueco


O meu negão chegou todo estropiado. Filhote, achado na rua, magro e trêmulo, ficou uma semana no soro do veterinário. Tinha um rabo comprido e peludo, maior que o corpo. E um olho meio fechado, meio aberto, cheio de remela. Cismei meio contrariada - Ah que gato mais feio, meu Deus, pra se ter em casa!

Mas minha filha Paulinha, cheia de sabedoria;- Por isso mesmo mãe, ninguem ia querer!

O nome foi o namorado dela quem deu, nem sei por que - " Carlson" .

Depois percebi ser um nome sueco, dos aloirados nórdicos, infinita ironia.

Os ronronados de Carlson foram se achegando, esfregaços na perna, olhos doces já quase curados. Me seguindo por toda a parte da casa, silencioso e companheiro.

Carinhosinho, cheio de amor pra dar. O veterinário explicou meio incrédulo -"Todos os gatos pretos machos são assim, os mais carinhosos, sempre".

Talvez para abonar a fama de agourentos.

E o Carlson, agora gordo e majestoso, me faz aquela companhia quieta do amor incondicional dos bichos.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Os 50 anos da Bela Adormecida


O desenho da Disney " A Bela Adormecida " está completando 50 anos.

E a primeira vez que assisti quando menina, no Cine Rex do Bexiga, fiquei maravilhada e nunca me esqueci da história e da música. Sim porque o tema musical era uma sinfonia de Tchaikovsky fantástica , que logo em seguinda tirei de ouvido no piano de minha mãe.

As 3 fadas madrinhas, Flora, Fauna e Primavera que dançavam em torno de Aurora, fazendo o seu vestido se transformar em um traje maravilhoso, foi um dos trechos mais encantadores que assisti.
E agora já madura, ainda adoro ver esses desenhos ingênuos, preferindo-os a qualquer filme violento ou desenho animado com cenas de lutas.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Cromoterapia


Todas as terapias holisticas são fascinantes. A cromoterapia , acredito eu, tem uma enorme influencia em nossa energia vital. Um dia de sol e um dia cinza de chuva já influenciam nosso espirito. As roupas coloridas que vestimos tambem. A terapeuta holistica Wanda Ribeiro, escreveu esse texto que comporta muito bem a definição e a atuação das cores:


A cor traduz a dinâmica da vida, é o referencial manifestador dos nossos potenciais. Em cada raio repousa uma qualidade do nosso ser.

Vermelho - É um vitalizador em potencial e estimulante circulatório. Aumenta a produção de glóbulos vermelhos e ferro no sangue, indicado para anemia. Eleva a pressão arterial e energiza o fígado. Não é recomendado usar o vermelho nos casos de: febre, taquicardia e pressão alta.

Laranja - É um desobstruidor em potencial, usado para auxiliar nos tratamentos de pedras nos rins e na vesícula; também recomendado para cistos, nódulos e formações tumorais benignas. É útil na desobstrução dos vasos sangüíneos e nas taxas elevadas de colesterol e triglicérides. Pode ser utilizado como substituto do vermelho, quando este não puder ser empregado

.Amarelo - É um estimulante do pâncreas e dos nervos sensoriais e motores, indicado para diabetes e atrofias nervosas e musculares. Favorece a digestão, produz efeito laxante e combate os vermes da flora intestinal. Seu efeito terapêutico abrange a pele, favorecendo na manutenção da elasticidade e cicatrização. E também recomendado para manchas, cravos e espinhas. Contra-indicação; infecção, inflamação, gastrite e úlcera.

Verde - Possui efeito equilibrador em todo organismo, por isso pode ser associado a qualquer outra cor para aumentar os benefícios da cromoterapia. Assim, além do efeito terapêutico das demais cores nos órgãos afetados pela doença, a presença do verde favorece a breve recuperação. É indicado para quaisquer problemas circulatório e cardíaco; regulariza a pressão arterial. A mistura do verde com o amarelo forma o verde limão, que favorece a constituição óssea, sendo indicado para a osteoporose.

Azul - É a cor de maior propriedade terapêutica, produz efeito calmante, anti-séptico, bactericida, adstringente e analgésico nos órgãos e sistemas do corpo. É indicado nos casos de taquicardia e pressão alta e favorece a coagulação sangüínea. É recomendado para todas as doenças infecciosas e inflamatórias, principalmente quando acompanhadas de febre. Suaviza a dor em qualquer parte do corpo.Índigo - Favorece a drenagem linfática, sendo, portanto, indicado nos processos inflamatórios. Energiza a área visual e auditiva; é recomendado em quaisquer problemas dos olhos e dos ouvidos.

Violeta - Como estimulante imunológico, seu uso é apropriado para todos os tipos de infecções. Promove o fortalecimento do Sistema Nervoso Central; é conveniente nos casos de derrame cerebral, mal de Parkson e outras complicações neurológicas. É recomendado também para tumores malignos (câncer).
Harmonia e paz sempre!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Numerologia


A Numerologia é intrigante e viciante. Desde que começei a me interessar pelo assunto, me pego somando placas de carros, datas de nascimento, numeros de casa, etc.

Na realidade acho que eles tem influencia energética em tudo, são representativos e instigantes.

O perfil traçado em cada numero bate regularmente com as pessoas que conheço.

E todos eles se explicam e se entrelaçam, sempre:


0 é o tudo e o nada, o início e o fim, de onde surge o 1, que representa o homem, ativo e pioneiro. Este encontrará a mulher, o número 2, que é sensível e seguidora. Desta união nasce o número 3, que representa a criança e a alegria.Agora, como uma família, eles necessitam de uma casa: o número 4, que representa a rotina e as responsabilidades do dia-a-dia. Para escapar disso, eles se servem do número 5, que é a liberdade e o lazer.Ao cuidar do lar, a família coloca em ação o número 6, que é o espírito de união. Mas mesmo dentro de uma comunidade, nós ainda somos indivíduos, com nossos próprios jeitos de ser, o que justifica a existência do número 7. Ele representa a privacidade, a introspecção e o estudo.

Com todo o conhecimento sobre o eu interior, passa a ser necessário lidar com o poder e com assuntos materiais do mundo exterior, representados pelo número 8. Após conhecer e conquistar o poder, é hora de compartilhar e ajudar aos outros, e aí vem o número 9, da generosidade.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Um gato chamado Foguinho


Quando trouxeram, estava dentro de uma caixa de papelão, enrolado num trapo velho.Muito pequeno e fragil, caolho, pêlo sumindo, orelhas grandes demais pro corpo. Abandonado como acontece maldosamente com tantos bichinhos.

Um gato ruivo, cor de fogo, foguinho. Ficou Foguinho, primeiro pela côr do pêlo, depois pela voltagem: a mil por hora, correndo pela casa, rolando pelos sofás, ultra rápido, um "flash" ruivo que passava entre as pernas. Dá-lhe antibiótico e ração de primeira, muito colo e leitinho.

Elegeu a Paulinha, minha filha, como dona predileta. Miados longos cantados no pé dela, pedindo colo, corre para acorda-la de manhã. Ronrona se aconchegando para acorda-la ou dormir junto dela. Dengos e mimos infinitos pra uma criaturinha tão esperta. Pra não virar o "rei" da casa, trouxeram outro gato pra fazer parceria com ele. Hoje dividem os carinhos, gordos e felizes.

Mas desse outro gato (prêto), eu conto a história depois.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A PISCINA DO COPA


Quantas histórias de luxo e poder. Celebridades em festas homéricas, nomes de playboys abraçados a estrelas, emergentes da sociedade erguendo taças...

Tudo envolve o Copacabana Palace numa aura nostalgica e doce, no auge dos anos 50 com cassino e tudo. Mas hoje, imponente ainda, como um castelo branco ao sol do Rio de Janeiro, guarda todos esses segredos.

Sua deslumbrante piscina, vista da Pérgola, ainda impõe um sentimento poderoso e elitizado. Mas quem se banhou nessas águas mornas jamais esquece.

Num momento de minha vida, eu passei uma noite no Copa, depois de uma linda festa. E fiz questão de me meter no mais elegante maiô preto, acompanhada de um belo par de óculos de sol.

Nesse instante, molhei a ponta dos pés e mergulhei.

Num momento de estrela.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

A DESCOBERTA


A descoberta da sexualidade e das desilusões na adolescencia são momentos muito marcantes. Transcrevo a seguir, um conto meu, baseado nessa fase inesquecivel da vida.


DESCOBERTA - Conto

O menino olhou pela janela, a rua. Anoitecendo em frio de junho, um vento nublando a vidraça, a respiração em oh, o pequeno dedinho fazendo um coração molhado no vidro. Pela porta entreaberta do quarto ele via a mãe, sentada no banquinho da penteadeira, loura, nuca de veludo, um colar de contas escuras, uma gota de perfume nos pulsos. Desviou o olhar para ver o relógio da sala, quase a hora do pai entrar, de gravata torta e cara de quem tinha trabalhado mais do que devia.
Já sabia – ele entrava, daí jogava o paletó na poltrona e ligava a televisão, mal dava um beijo na mãe e já pedia a janta. Passava horas lá naquele sofá, tirando as roupas de hora em hora: primeiro os sapatos, depois as meias para remexer os dedos peludos do pé no tapete. Depois puxava a gravata num safanão e desabotoava o resto da camisa, alisando a barriga de cerveja. Isso sem desviar a cara da televisão, rindo, falando com o cara do noticiário, estalando a língua com cara de bobo pra atriz da novela das oito. A mãe trazia o prato que ele devorava, ás vezes sem saber o que estava comendo, rapidamente. Se levantava um pouco para sacudir as migalhas das calças e sentava de novo. A mãe ia e vinha, cheirando forte aquele perfume que ele nem notava – traz água, leva meu sapato pro quarto, esse arroz tá frio, esquenta.
O menino ficava sentado no outro sofá, olhando a TV e acompanhando as voltas da mãe pela casa, ás vezes fingia que lia um gibi, rabiscava um papel. Dez horas o pai lembrava dele: - Vai dormir garoto, amanhã é dia de branco.
Deitava na cama mas ficava de olho aberto no teto, escutando a televisão da sala, os passos medidos da mãe, um espirro, as mudanças de canal. Até o clic final, os dois meio mudos, bocejos, o pai falando sozinho, o boa noite da mãe, quase um sussurro.
Ás terças e quintas, o pai mandava o menino mais cedo pra cama, fechava a porta com o trinco. Alguns gemidos abafados, um enroscar de lençol, cama balançando. Mas por minutos. Depois o silêncio.
Numa noite de sexta-feira, o menino viu a mãe se pintando toda, um batom vivo, cílios enegrecidos, o perfume mais forte. Enquanto o pai olhava a televisão, ela se arrumando de pouquinho, agitada – pra quê ? Depois botou a camisola, deu aquele boa noite sussurrado e foi pra cama. Quase meia-noite o pai levantou do sofá, foi pro banheiro arrastando o corpo pesado, o menino espiou pelo corredor. Fingiu que ia beber água, descalço no escuro, a luz da geladeira, ficou parado no meio da cozinha com o copo na mão. O ronco do pai ecoava estranho, o menino sorriu lembrando da revista, passada por baixo da carteira da escola: -Mulher pelada!...leva pra casa depois devolve.
Entrou pela sala meio sem rumo, esbarrando nas coisas, foi direto pro sofá, levantou a almofada do assento e apanhou a revista. Sentou debaixo da janela, onde um pouco da luz da rua fazia um facho. A primeira estava de joelhos, suspendendo o cabelo negro pra cima, boca de muitos dentes, no meio a língua rosada. Tinha a loura de quatro e uma outra, escurinha com alguns colares descendo até o umbigo. O menino respirava apressado, o medo, uma cócega descendo pelo estômago, coisa proibida. Desceu a mão pelo sexo, a porta do quarto se abriu, um vulto passou carregando os sapatos na mão.

O menino escorregou rápido atrás do sofá, a revista dobrada no meio das pernas, o coração pulando. A mãe num vestido vermelho e brincos de pingente, os pés na meia
de nylon pisando de leve no assoalho. Girou a chave colocando os sapatos de salto, olhou de relance pela sala, sorrindo um sorriso meio aberto, esquisito. Saiu como um vento, deixando só o perfume. O menino sentiu vontade de chamar, levantar num salto repentino, embriagado pelo perfume doce, mas alguma coisa ruim dizia que ele devia ficar ali, escondido. Espiou pela janela a mãe descendo a rua, sozinha, andando bem devagar até parar na esquina, onde um carro preto abriu a porta e ela entrou.
Ficou na janela ainda um tempão, desenhando no vidro com o dedo, um montão de coração com flecha.


Mariza Vitória Pettinelli